Quando tratamos do chamado mensalão nesse blog, logo ligamos à corrupção (a mídia ensinou isso).
Mas, penso que deveríamos pensar um pouco mais sobre corrupção. A tese é que há duas modalidades de corrupção. Uma não justifica a outra. A primeira chamaria de corrupção ilegal. A segunda de corrupção legal ou sistêmica.
A corrupção ilegal é toda aquela modalidade que contraria as leis vigentes em um sistema. Por exemplo, é caso do mensalão Tucano, do PT e do DEM do Federal. Esse último, filmado em cores vivas.
A segunda modalidade corrupção é aquela que muitos não gostam de falar, por que faz parte do sistema e, os mesmos inquisidores (opositores atuais do governo PT) vivem muitas vezes à custa dela, a corrupção sistêmica. Nunca se fala em corruptores, empresas, empreiteiras, que compram políticos financiando campanhas ou participando do caixa dois. Sempre se fala do passivo e não do ativo. Só sobre esse assunto mereceria um capítulo sobre a importância do financiamento público de campanhas.
Apesar de a corrupção ilegal ser péssima para o povo, a corrupção sistêmica parece ser bem pior. É uma modalidade de corrupção que se passa por natural, parece fazer parte do homem, mas, na verdade é histórica e faz parte da construção da sociedade. Em nosso caso, o modelo de sociedade capitalista que temos. Para entendermos melhor, veja o caso da sociedade escravocrata do século XIX. Era legal, possuir escravos e explorá-los. Se alguém promovesse uma fuga de escravo poderia ser preso, estaria cometendo um ato ilegal. E assim, até a atualidade a corrupção sistêmica constrói todo tipo de desigualdade e injustiças. Esse tipo de corrupção serve para sustentar o status quo de uma parcela dominante da população.
Veja o caso, da distribuição de renda no Brasil. Precisamos de um ex-operário subir ao poder democraticamente para promover a melhoria do salário mínimo, o aumento da bolsa família para promover o desenvolvimento que estava muito tempo estancado. Antes corrupção sistêmica não deixava o dinheiro chegar aos pobres. Onde estava o dinheiro? E paraíso fiscais, o BNDS financiava apenas alguns projetos, principalmente se estivesse ligado à privataria.
Quando o governo Lula começou a valorizar mais o bolsa família, tivemos aqueles que se levantaram e gritaram, “isso é um absurdo, dar dinheiro pobre, que vão trabalhar”. No entanto, anteriormente, a corrupção sistêmica permitia que grandes empresas recebessem dinheiro até mesmo em fundo perdido. Assim, o poder das elites nunca fora ameaçado, tanto como agora. Basta olhar o acesso as universidades, filas nos aeroportos, trânsito caótico. A estrutura do Brasil antes nunca pensara na maioria do povo brasileiro.
Assim como todas as mudanças, o novo grupo social que assume é mais cobrado e vigiado de perto por aqueles que antes dominavam a sociedade. Como exemplo, podemos citar a emancipação da mulher. Historicamente a mulher esteve submetida ao domínio do homem (até na lenda de Adão e Eva, a mulher “pago o pato” pelas mazelas humanas). Mesmo com essa emancipação a mulher continua sendo mais cobrada moralmente na sociedade. Ao homem toda liberdade sexual. Já viram, começou em corrupção e terminou em liberdade sexual.
Silvio Martins