Há mais de meio século,ou melhor,no tempo de minha mãe e das tias da minha mãe, os cuidados com a pele – que devia ser alva e suave,exigia que todas as mulheres utilizassem sombrinhas para andar na rua nos dias de sol.Esse equipamento fazia parte de seu enxoval.E muiats vezes combinava coma cor dos sapatos e da bolsa ou do chapeu.
Lembro da minha mãe que tinha,quando eu ainda era criança,sombrinhas para o sol e sombrinhas para a chuva.Alias, era o guarda-chuva feminino,um padrão menor, mais trabalhado.
Lembro ainda que a madrinha da minha irmã presenteou-a com uma sombrinha linda,com uma estampa florida que ainda hoje está na minha memoria.
Eu morria de inveja e, através da sua interferencia , consegui que a minha madrinha,no dia do meu aniversário,também me presenteasse com uma. Não era tão bela – verde escuro,sem estampa.Mas passei a ter uma também.
Sua utilização era mais para os dias de chuva ou uma vez ou outra, para reduzir o calor do sol escaldante.
Depois a moda do bronzeamento chegou junto com a piscina construida pelo Cowntry Clube de minha cidade,cuja frequencia tostou a todas nós nos dias de verão. E naquela época não tinhamos o protetor. (CONTINUA)
Depois veio a valorização da morenice brasileiras onde jovens e mulheres derretiam no sol com bronzeadores industrializados ou caseiros a base de óleo,urucum,iodo.O concurso era diário pra se saber quem queimava mais.
Ai as sombrinhas cairam no mais completo ostracismos e so serviam mesmo nos dias de chuva.
Se transformaram exclusivamente em guarda-chuva de todos os tamanhos : de bolsa, portáteis, enormes,com cabos trabalhados , lançadas pela industria chinesa que abastecem as lojas de 1,99 ou produzidas pelas grifes mais famosas.
Agora,nesse verão mais quente do século, a sombrinha foi resgatada e utilizada para proteção contra o sol.
Mesmo as meninas que frequentam as praias e se lambuzam de protetor em função dos riscos do cancer de pele,do envelhecimento precoce preconizado pela medicina estética,relançaram a sombrinha quando estão longe das praias.
Aqui em Rio do Sul essa moda ainda não chegou,mas achei o máximo ver meninas caminhando pelas calçadas de Florianopolis,São Paulo ,Rio e Bahia ,com suas sombrinhas buscando escapar das radiações solares,sem o menor pudor e com um certo charme.
Dessa forma oculos escuros ,sombrinhas e roupas charmosas fazem combinações inusitadas e simpáticas no verão de 2010 por iniciativa e conforto de quem anda na rua .
Achei o máximo ver minha filha e suas amigas saindo para a faculdade de sombrinhas abertas,num dia quente, sem o menor prurido, como se fosse uma menina do século passado,daquelas que habitavam o nosso imáginário,quando lembravamos de nossas avós.
Isso mostra que nesse mundinho quase nada se cria e tudo se copia e reinventa, como diz o velho Abelardo Barbosa, o Chacrinha.O que é muito bom poque valoriza um passado nem sempre lembrado como importante no seu momento e para nossas conquistas atuais.
Invenção muito antiga – o guarda-chuva, faz parte das passarelas e das ruas atuais com simbolo de beleza,charme e criatividade.
Qual a origem do guarda-chuva? Os mais antigos que se conhecem foram da Mesopotâmia, há 3400 anos. Na mesopotâmia, região do atual Iraque, há 3400 anos já existiam artefatos destinados a proteger a cabeça dos reis - contra o sol, não contra a chuva, uma raridade naquele lugar. Assim como os abanos, eram feitos de folhas de palmeiras, plumas e papiro.. No Egito, adquiriram significado religioso e na Grécia e em Roma eram tidos como artigo exclusivamente feminino. Só no século XVIII a obstinação do comerciante inglês Jonas Hanway, um apaixonado por guarda-chuvas (versão inglesa do guarda-sol tropical), conseguiria torná-los dignos também de um gentleman. Embora ridicularizado em vida, após a sua morte, em 1786, os ingleses aceitaram sair à rua munido do acessório nos sempre freqüentes dias de chuvas do país.(Superinteressante/Abril)
Comentários
9/03/2010
10:49
Jussara Ivelise Custodio
Belo texto.Você garimpa excelentes assuntos. Voltei no tempo, também desejava uma sombrinha. Com a mesma intensidade desejava uma caixa de costura, daquelas forradas, cor de rosa, com um monte de coisa dentro para fabricar as roupas da boneca Susi (não era a Barbie mas fazia o mesmo efeito). Ganhei de aniversário. Aliás, neste dia, veio uma vizinha amiga de minha mãe, tinha uma familia enorme. Cada um me deu um presente. Ganhei também o compacto do Jonnhy Rivers.
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9/03/2010
10:50
mel
Nídia, vc é única. Outro dia, encontrei com uma senhora da cidade, e ela usava um chapéu charmoso demais, que a deixava ainda mais elegante. Já pensou? Esta moda também nos atrairia muito, não é mesmo? Vc ficaria chiquérrima guria!
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9/03/2010
11:45
Nidia Maria de Leon Nobrega
Jussara e leitoras eleitores...
acho que todas nos temso uma menina de sombrinha dentro da gente,escondida em algum cantinho...por isso tive coragem de resgatá-la quando vi a Lu indo toda fagueira, de sombrinha pra faculdade em pleno 2010...essa mistura toda...as pessoas tem que darem o direito dessas lembranças, desses momentos...
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9/03/2010
13:41
Elaine Foliatti
Voltei ao passado e lembrei que quando tinha sete anos, ganhei uma sombrinha branca com flores bem delicadas de minha mãe. Ela era justamente para andar ao sol. Ela era tão linda que acabei guardando-a comigo por alguns anos. Mais tarde quando minha sobrinha tinha uns 5 anos e viu aquele pequeno mimo se encantou e, é claro que recebeu como presente.
Acho louvável essa atitude em andar com sombrinhas para nos protegermos do sol. Tudo é válido quando o assunto é prevenção.
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9/03/2010
16:14
Sisudo
Olha aí, eu sou chato quando o assunto assim necessita, mas sei reconhecer boas e bem contadas histórias de nossas vidas. Interessante como algo tão corriqueiro outrora, "a menina da sombrinha" se torna em um conto extraordinário compartilhado no blog. Valeu.
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9/03/2010
16:38
Luiz Carlos Soares
Pois óia! Aqui na minha rua ainda vejo muita senhora passar de sombrinha em dia de sol caliente. Deve ser influência da tia Nidia, pois geralmente descem lá do bairro Progresso...Lindo texto! Como sempre, ops, digo, conforme ela costuma escrever!
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9/03/2010
17:48
Antonio Claudio Naschenweng
Guardas Chuvas me lembrei de Gene Kelly, Debbie Reinolds e Donald O'Connor no famoso Singin' in the Rain.
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9/03/2010
19:18
Alcides Raizer
Mandei desenvolver uma "sombrinha" para raios ultra violetas... hoje em São Paulo tivemos o pico maximo do mesmo, um monte de gente morrerá antes do seu tempo por não ter-se cuidado.
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