Por: Aldo Siebert • Categoria: Parece mentira, mas é verdade... • Data da postagem: 31 de maio de 2016
Por Juca Kfuri no UOL Esportes

img_56591Narcio Rodrigues é filho do Seu Tião Rodrigues e de Dona Silvia. Do pai herdou o jeito de fazer as coisas com “honra e retidão”, como lhe aconselhava seu Tião. Da mãe veio a tenacidade, a perseverança de correr atrás dos próprios sonhos.

Dentro da Câmara, ele dava início a uma amizade e aliança que o acompanhariam até hoje. Narcio descobriu em Aécio Neves, outro jovem deputado, sonhos e afinidades em comum. Com a ajuda de Narcio, Aécio venceu grandes obstáculos, foi líder da bancada, chegou à presidência da Câmara e conquistou pela primeira vez, o Governo de Minas.

Os anos da presidência de Narcio no PSDB (2004/2006, 2006/2007, 2009/2011) foram marcados pelo crescimento e consolidação do partido no Estado.

Em 2011, um outro desafio se apresentou para Narcio Rodrigues. Um convite do Governador Anastasia para assumir a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o trouxe novamente para sua Minas Gerais.

Em 30 de maio de 2016, Nárcio Rodrigues foi preso na operação Aequalis, comandada pelo Grupo Especial de Promotores de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público em Minas Gerais, conduzida pela Polícia Militar de Minas Gerais e pela Polícia Federal.

NOTA DO BLOG do Juca: O  neto do Seu Tião, filho de Nárcio, deputado Caio Nárcio, ao votar pelo impeachment, bandeira brasileira nas mãos, disse seguir o que aprendeu com o avô e com o pai. Muita pena do Seu Tião…




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Por: Aldo Siebert • Categoria: Humor • Data da postagem: 31 de maio de 2016
Mariano, especial para A Charge Online
Mariano, especial para A Charge Online



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Por: Aldo Siebert • Categoria: Destaque , Internet • Data da postagem: 30 de maio de 2016
Por John Naughton, articulista do jornal The Guardian no Observatóriuo da Imprensa

Muitos anos atrás, o teórico político Steven Lukes publicou um livro influente – Power: A Radical View , no qual argumentava que o poder sempre vinha em três variedades: a faculdade de obrigar as pessoas a fazerem o que não querem fazer; a capacidade de fazer elas pararem de fazer o que querem fazer; e o poder de formar a maneira pela qual elas pensam. Este último é o tipo de poder exercido pelos nossos meios de comunicação.

A mídia pode dar forma à pauta do público (e, portanto, política) selecionando as notícias que as pessoas leem, ouvem e veem; e podem dar forma às maneiras pelas quais as notícias são apresentadas. A “terceira dimensão” do poder de Lukes é aquilo que é produzido, na Grã-Bretanha, por veículos como o programa Today, da Radio 4, e os jornais The Sun e Daily Mail. E esse poder é concreto: é por esse motivo que todos os governos britânicos dos últimos anos sempre tiveram tanto medo do Daily Mail.

Mas como o nosso ecossistema de mídia mudou com o impacto da internet, surgiram novos corretores de poder. Durante muito tempo, o Google foi uma espécia de gorila de 350 quilos neste setor porque o seu predomínio sobre as buscas determinava o que as pessoas podiam encontrar no inimaginável terreno baldio do ciberespaço. E a busca podia ser – e era – personalizada porque os algoritmos do Google podiam descobrir aquilo que provavelmente mais interessava a cada usuário e, portanto, que tipo de informação seria mais relevante para ele ou para ela. Portanto, de uma maneira imperceptível mas inexorável, nós passamos a viver naquilo que Eli Pariser chamou uma “bolha de filtro”.

Antes da internet, nosso problema com a informação era a sua escassez. Atualmente, nosso problema é uma abundância impossível de administrar. Agora, portanto, os escassos recursos com que contamos são a atenção e o tempo, e é sobre eles que estourou uma guerra terrível entre a mídia tradicional e as novas empresas baseadas na internet. O “consumo” (uma palavra horrível, mas muito usada) da velha mídia está decaindo, enquanto a mídia online vem conseguindo cada vez mais a atenção e o tempo das pessoas.

No momento, os maiores ladrões são o YouTube e o Facebook. O YouTube conta com um bilhão de usuários, metade dos quais o acessam via dispositivos móveis. Em média, o tempo passado no site é de 40 minutos. O Facebook agora reivindica contar com 1,65 bilhão de usuários ativos por mês, que passam, em média, 50 minutos por dia em seus serviços. Portanto, se o Google é um gorila de 350 quilos, o Facebook é um King Kong de uma mega tonelada.

As novas responsabilidades do Facebook

A concorrência pela atenção e pelo tempo é um jogo que os meios de comunicação tradicionais vêm perdendo. No desespero, eles tentam acalmar o Facebook e aproveitar a maneira pela qual ele controla a atenção das pessoas. Muitos editores registraram-se, por exemplo, no sistemaInstant Articles, da empresa, que permite que seu conteúdo seja baixado rapidamente nos dispositivos móveis dos usuários. Mas o que isso significa – como recentemente destacou Emily Bell [professora e diretora do Tow Center, da Universidade de Columbia] em sua palestra no programa Humanitas, em Cambridge – é que, na realidade, os jornais subcontrataram a distribuição de seu conteúdo pelo gigante da internet.

Ao fazê-lo, eles entraram numa verdadeira barganha de Fausto. Isso porque se os editores podem facilmente despachar suas coisas para o Instant Articles, não podem controlar os usuários do Facebook realmente irão ver. Isso porque os textos que os usuários irão ler são decididos pelo algoritmo do Facebook, que tenta adivinhar o que cada usuários gostaria de ver (e o que poderia induzi-los a clicar num anúncio). Portanto, uma vez que o conteúdo desapareça pelo bucho logarítmico do Facebook adentro, ele se torna uma simples forragem para seus cálculos.

Isso significa que atualmente o Facebook exerce o terceiro tipo de poder de Steven Lukes – o mesmo tipo de poder exercido pelo editor do Daily Mail, Paul Dacre, e pelo editor do programa de rádio Today. Mas quando você questiona – como fez de maneira memorável o professor de Jornalismo George Brock – se Mark Zuckerberg e seus sátrapas compreendem que passaram a ter responsabilidades editoriais, eles ficam mudos. O Facebook não é um editor, explicam eles, e sim, uma simples “plataforma”. E, além disso, nenhum ser humano está envolvido na seleção de textos jornalísticos para os usuários: tudo é feito por algoritmos e, portanto, é neutro. Em outras palavras: nada a ver conosco; vamos em frente.

Isso é bobagem, pelo menos no que se refere aos tipos de algoritmos de que estamos falando aqui (uma rede do sistema nervoso é outra discussão). Qualquer algoritmo que tenha que fazer opções tem critérios que foram especificados por quem o projetou. E esses critérios são expressões de valores humanos. Os engenheiros podem achar que eles são “neutros”, mas a experiência já nos mostrou que eles são ingênuos em termos de política, economia e ideologia. Se o Facebook quer se tornar um canal de notícias, então tem que reconhecer que passou para uma esfera diferente e adquiriu novas responsabilidades. E os editores que o absorvem deveriam lembrar-se da definição de Churchill para acalmar-se: consiste no processo de ser simpático a um crocodilo na esperança de ser o último que ele comerá.




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Por: Aldo Siebert • Categoria: Cultura , Outros blogs/sites • Data da postagem: 30 de maio de 2016
Por Bernardo Mello Franco na Folha

Jornalista, assina a coluna Brasília. Na Folha, foi correspondente em Londres e editor interino do 'Painel'. Também trabalhou no 'JB' e no 'Globo'. Escreve de terça a sexta e aos domingos.
Jornalista, assina a coluna Brasília. Na Folha, foi correspondente em Londres e editor interino do ‘Painel’. Também trabalhou no ‘JB’ e no ‘Globo’. Escreve de terça a sexta e aos domingos.

Na véspera do feriado, dois deputados do DEM pediram a criação de uma CPI da Lei Rouanet. O requerimento foi assinado por mais 210 parlamentares, quase todos da base do governo Temer. Eles alegam que é preciso apurar irregularidades na política de incentivo à cultura.

O documento protocolado na Câmara tem seis páginas. Cinco delas são copiadas de um site que fez campanha pelo impeachment. O texto lista “os 12 projetos mais bizarros aprovados pela Lei Rouanet”.

Quem navega nas redes sociais já deve ter se deparado com publicações semelhantes. Em geral, elas sustentam que artistas são “vagabundos” que vivem do dinheiro público, que a lei é usada para sustentar esquerdistas e que os recursos destinados à cultura deveriam ser aplicados em saúde e educação.

Esse discurso ignora que o setor cultural movimenta a economia e gera milhares de empregos para artistas e não artistas, que a lei existe desde o governo Collor e que quem escolhe os projetos apoiados são as empresas, que deduzem o valor do patrocínio no imposto de renda.

Todo país civilizado tem mecanismos de incentivo à cultura. Eles ajudam a financiar museus, orquestras e outras entidades que não sobreviveriam só com a bilheteria. A lei brasileira pode apresentar problemas, mas atacá-la com demagogia é a forma mais segura de não resolvê-los.

Quem acha que a CPI é uma boa ideia deveria examinar o perfil dos deputados que a propuseram. O primeiro é Alberto Fraga, um ex-coronel da PM que se notabilizou ao declarar que “mulher que bate como homem tem que apanhar como homem”. O outro é Sóstenes Cavalcante, pastor da igreja de Silas Malafaia.

É fácil compreender por que um líder da bancada da bala quer impedir que o Estado apoie a produção de livros. No caso do pastor, basta andar pelo centro do Rio ou de São Paulo e contar o número de teatros e cinemas que deram lugar a templos. Com isenção de impostos, é claro.




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Por: Aldo Siebert • Categoria: Economia , Política • Data da postagem: 30 de maio de 2016
Por Rubens Valente na Folha

José Levi do Amaral Júnior, secretário-executivo da Justiça
José Levi do Amaral Júnior, secretário-executivo da Justiça

O novo secretário-executivo do Ministério da Justiça, José Levi do Amaral Júnior, defendeu as pedaladas fiscais do governo Dilma Rousseff em artigo publicado pela Folha em julho passado. O texto foi assinado em parceria com o então advogado-geral da União Luís Inácio Adams.

Homem de confiança de Adams, Amaral Júnior foi nomeado em julho passado consultor geral da União na AGU (Advocacia-Geral da União). Antes, atuou como assessor em governos do PSDB em São Paulo e Minas Gerais.

As pedaladas fiscais de 2015 foram um dos dois tópicos formalmente levados em conta pelo Congresso para abrir o processo de impeachment de Dilma. Cinco dias após assumir interinamente, Michel Temer assinou decreto que tornou Alexandre de Moraes ministro da Justiça e Amaral Júnior, o número dois.

O artigo em defesa de Dilma foi publicado no mesmo dia em que o governo protocolou, no TCU (Tribunal de Contas da União), a defesa no processo sobre irregularidades do ano de 2014, incluindo as pedaladas.

Intitulado “A responsabilidade fiscal do governo”, o artigo defende que “as contas presidenciais guardam rigoroso respeito à legalidade conformidade, sobretudo em face da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Segundo o artigo de Adams e Amaral Júnior, o tipo de ação questionada “não se trata de operação de crédito, real ou camuflada” –Dilma foi afastada com base na afirmação de que autorizou operação de crédito ilegal.

“Operação de crédito pressupõe assunção, espontânea, voluntária, de obrigação nova, até então inexistente, com impacto direto na dívida pública, aumentando o endividamento do ente”, acrescenta o artigo. Este é um dos pontos centrais da defesa de Dilma no processo.

OUTRO LADO

Amaral Júnior respondeu por e-mail que a decisão que deu base à abertura do impeachment foi “amparada em tema diverso, não enfrentado pelo artigo (seis decretos não numerados de 2015 que ‘supostamente abriram créditos suplementares em desacordo com a lei orçamentária’)”.

A resposta não considera que a decisão de Cunha também citou pedaladas fiscais em 2015, referentes ao Plano Safra. Após primeiro contato, a Folha encaminhou novas dúvidas e pediu entrevista, mas não houve resposta.




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Por: Aldo Siebert • Categoria: Economia • Data da postagem: 30 de maio de 2016

charge sinfronio resurreicaoDepois de dois anos em queda, a economia brasileira está caminhando para o início de uma estabilização. Dados recentes indicam que uma recuperação embrionária está em curso e poderá levar a uma retomada mais rápida do que o esperado.

A mudança de marcha não foi efeito apenas da troca de governo, mas de ajustes feitos ainda pela administração de Dilma Rousseff, sob a tesoura do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy em 2015.

As correções feitas até agora, porém, ainda são modestas e só levarão a uma recuperação sustentável se a administração interina de Michel Temer conseguir aprovar medidas para estancar a sangria nas contas públicas.

“O Temer herdou de Dilma 2 uma economia melhor do que Dilma 2 herdou de Dilma 1”, afirma Caio Megale, economista do Itaú Unibanco.

Dados recentes, como a melhora no número de emplacamentos de carros, a estabilização do nível de estoques de bens duráveis (como carros e eletrodomésticos) e da produção de máquinas e equipamentos mostram que a economia está perto do fundo do poço, dizem analistas.

“Em abril, pela primeira vez em dois anos, faltaram carros para entregar”, observa Megale.

Na última semana, na esteira do afastamento de Dilma Rousseff, pesquisas com consumidores e empresários mostraram significativa melhora da confiança, embora esta se mantenha em nível baixo. A principal contribuição veio de uma perspectiva mais otimista sobre o futuro da economia.

Veja a matéria completa publicada neste final de semana na Folha de São Paulo




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Por: Aldo Siebert • Categoria: Sem categoria • Data da postagem: 30 de maio de 2016
Esta charge do Samuca foi feita originalmente para o Diário de Pernambuco
Esta charge do Samuca foi feita originalmente para o Diário de Pernambuco



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Por: Leonardo de Oliveira Neves • Categoria: Sem categoria • Data da postagem: 29 de maio de 2016

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Boa noite Leitores!!! 

Depois da passagem do sistema de baixa pressão que deixou o feriado e o final de semana com cara de inverno (CHUVA e FRIO) a última semana do mês começa com tempo estável, nos próximos dias será com o predomínio do sol e temperaturas baixas, na quarta-feira sistema de baixa pressão deve trazer chuva a partir da tarde…

Boa semana a todos…  :) 

PREVISÃO ASSINATURA




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Por: Jean Carlos Petri • Categoria: Economia , Internacional , Para refletir , Pelo mundo , Política • Data da postagem: 28 de maio de 2016
Disponível em: http://istoe.com.br/do-que-escapamos/
Degradação econômica e caos social na Venezuela mostram por que a cartilha populista defendida pela esquerda latino-americana, e por Lula e Dilma no Brasil, está fadada ao fracassoDo que escapamos
DESESPERO Fila em supermercado de Caracas: faltam alimentos e remédios para a população
Amauri Segalla – 27.05.16 

Uma tragédia humanitária se multiplica no exato momento em que você lê este texto. O que era ruim ontem ficou péssimo hoje. E vai piorar amanhã. Dizem que a desgraça só nos atinge quando está por perto. Do contrário, nós a ignoramos. Mas esta catástrofe não pode ser esquecida sob o pretexto da distância. Bastam pouco mais de cinco horas de voo a partir de São Paulo ou do Rio de Janeiro para chegar à Venezuela, o gigante sul-americano que vive o maior flagelo de sua história e o mais devastador para uma população das Américas desde o grande terremoto que devastou o Haiti, há seis anos.

Brasil e Venezuela dividem 2.200 km de fronteiras, mas a proximidade não foi capaz de despertar o interesse, ou pelos menos a piedade, dos brasileiros. Estamos indiferentes à dor e ao sofrimento de nossos vizinhos – e isso pode ser perigoso para nós mesmos. É preciso entender o caso venezuelano para espreitar o que poderia ter sido o Brasil se continuássemos flertando com o receituário populista. Nos anos Lula e Dilma, enveredamos por esse caminho e fizemos um esforço sincero para repetir aqui os erros que destruíram os vizinhos de lá. Se a Venezuela sucumbiu, o Brasil poderia ter encontrado o mesmo destino.

Os venezuelanos chegaram ao abismo porque seus dois últimos governantes, Hugo Chávez entre 1999 e 2013 e Nicolás Maduro desde então, reciclaram fórmulas surradas da esquerda latino-americana. Como a história ensinou, elas se prestaram, antes de tudo, a saciar as ambições – ou as loucuras – de líderes que, como Chávez, se consideram messiânicos. Pela ótica “revolucionária”, palavra que o populismo tratou de banalizar, o Estado é o senhor da vida dos cidadãos. Ele se sobrepõe à livre iniciativa, ao direito de escolha que as sociedades verdadeiramente democráticas conferem a cada um.

Chávez, que morreu de câncer em 2013, apoiou-se no dinheiro que jorrava das reservas de petróleo (a Venezuela detém as maiores jazidas do planeta) para oferecer alimentos subsidiados aos pobres, abrir linhas de crédito generosas para a compra de casas populares e reduzir o preço da energia, para citar as iniciativas que o tornaram o presidente mais popular da história do país. Fez isso sem pensar numa estratégia para resolver a equação “gastos públicos” versus “equilíbrio fiscal”, e o resultado é uma conta que não fecha.

Em sua sanha “revolucionária”, Chávez promoveu uma onda de estatização. Expropriou empresas de diversos setores e orgulhou-se de botar para correr empresários que defendiam a iniciativa privada. Sob Chávez, o governo venezuelano passou a controlar 80% do setor de telefonia fixa, 40% do bancário e 35% do varejo de alimentos. Refratário ao debate aberto, cassou a licença de emissoras de tevê, censurou jornais e perseguiu repórteres independentes.

Chávez não percebeu, mas ele estava começando a cavar o abismo que asfixia a Venezuela hoje em dia. Como o Estado passou a regular quase tudo, a corrupção atingiu níveis epidêmicos (qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência) e os serviços se tornaram ineficientes, funcionando essencialmente para abastecer os bolsos dos próceres ligados ao governo. Uma nação corrupta e ineficiente (sim, poderia ser o Brasil, mas estamos falando da Venezuela) tende a esgotar seus recursos, e foi isso o que aconteceu.

Entre 1999, quando Chávez assumiu o poder, e 2013, quando morreu, os gastos públicos passaram de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) para 52% (o descontrole com o dinheiro público não faz lembrar o governo Dilma?). Com Maduro, a relação se tornou mais dramática, chegando a impressionantes 60%. Junte-se a isso a queda do preço do petróleo (que responde por 95% das exportações do país) e o quadro que surge é o da falência absoluta. Os investidores sumiram (no Brasil de Dilma também), a inflação disparou (idem aqui), o desemprego e a inadimplência atingiram patamares dramáticos (idem, idem). Não é correto dizer que o Brasil seria a cópia perfeita e acabada da Venezuela (nossas instituições são mais fortes, nosso setor produtivo é mais diversificado), mas certamente não é exagero afirmar que os governos petistas fizeram muita coisa para repetir em solo nacional os pecados populistas de Chávez e Maduro.

Por mais que a esquerda feche os olhos para o problema, por mais que Chávez tenha tido, pelo menos no início, boas intenções (e que tenha até reduzido a disparidade de renda entre ricos e pobres), a realidade se impôs: a Venezuela é hoje um país em ruínas. Na semana passada, os jornais publicaram a notícia de um ex-professor universitário que foi linchado porque roubou US$ 5 de um velho que tinha saído do banco. Ele assaltou o idoso para comprar comida para os filhos, que passavam fome. Na terça-feira 24, um menino de 8 anos morreu de câncer. Ele se tornou famoso ao aderir aos protestos contra Maduro, carregando um cartaz onde se lia “Quero me curar. Paz e saúde.” A família do garoto não conseguiu os remédios para a quimioterapia, e ele não resistiu. Seu drama é o retrato acabado da falência da saúde. A Federação Farmacêutica Venezuelana calcula em 85% a escassez de medicamentos.

Estima-se que mais de 70% venezuelanos vivam na pobreza. O índice é equivalente ao de países miseráveis como a Somália. A população não tem o que comer. Também falta água. Nas favelas, as torneiras estão secas desde o ano passado. A escassez de água afeta a higiene, e assim surgiram surtos de doenças como a sarna. Os produtos da cesta básica sumiram das gôndolas dos supermercados. Desesperadas, as pessoas se juntam em pequenos grupos para roubar caminhões que transportam alimentos. Mesmo com o racionamento que impõe uma cota de no máximo dois itens por semana da cesta básica para cada venezuelano, a inflação não para de subir. Na semana passada, a capital Caracas reajustou os preços tabelados em mais de 1.000%. Estima-se que, em 2016, a inflação venezuelana supere 700%. Será a mais alta do mundo.

Conseguir comida requer lutas árduas. As filas nos supermercados chegam a 12 horas. Mesmo assim, o desfecho é incerto. O caos fez surgir a figura do “bachaquera”, “profissional” especializado em furar filas e que muitas vezes passa noites sem dormir para comprar a sua cota de alimentos. Os bachaqueras vendem os produtos por até 100 vezes o preço original.

Com a tessitura social desmoronando, uma onda de violência faz de Caracas uma das cidades mais letais do mundo. A polícia tem sido acusada de invadir casas, matar os proprietários e roubar alimentos. Justiceiros julgam e lincham supostos criminosos. Cidadãos comuns fogem para outros países. Há alguns dias, um emissário da ONU disse que a Venezuela vive um genocídio. Enquanto isso, o presidente Nicolás Maduro ameaça fechar o Congresso e cancelar eleições. O Brasil escapou de viver este inferno.




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